segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Trinta de agosto



Da casa branca do alto da montanha se ouve os pássaros e o lento chacoalhar do vento à margem do riacho. Desta mesma casa sinto o CHEIRO de verde novo, de flores e frutas. É a PRIMAVERA que vem chegando vagarosa e preguiçosa pra nos dar inspiração de um novo recomeçar.

As atividades que são aos poucos retomadas têm aspectos de novidade. A laranja lima colhida agora mesmo do pé tem o mesmo doce de uma tangerina madura, e o suco dessas FRUTAS cítricas refrescam a tarde quente desse país tropical. 

As CRIANÇAS brincam de pique esconde entre árvores e folhas caídas, se sujando a cada tropeço banhado de risadas sadias e saudosas. Os adultos que ali estão, permanecem admirando a natureza local e se permitindo respirar um pouco mais de AR PURO. 

O sol vai se pondo e com ele a certeza de um novo AMANHECER. As crianças se banham nas águas límpidas do riacho, e a ingenuidade pueril toma conta do ambiente que já é demasiadamente gostoso e saudável. As folhas que ainda restam do outono optam por dar lugar a novos verdes, e CORES talvez. E o tapete azul marinho vai se formando no céu com direito a purpurina prateada dando brilho à beleza NATURAL. 

A passos lentos e ritmados, os pés que aproveitaram a terra fresca e renovada, caminham descalços de volta pra casa. Aquela branca, que fica no alto da montanha e que agora abriga a mais linda FAMÍLIA nestas últimas noites frias de fim de estação.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A menina e o livro



Ela não sabia LER. Na verdade estava aprendendo, mas tinha preguiça de pensar em se esforçar pra ler igual a gente grande. Mas ela já era grande, pelo menos era o que seus pais diziam. 

Encarava aquele negócio de forma peculiar. O respeitava, tratava-o sempre bem e CORDIALMENTE, mas optava pela não intimidade. Ainda que algumas cores e capas chamassem bastante ATENÇÃO. 

Até que em um dia de outono, enquanto revirava o baú de BRINQUEDOS antigos e doados, ela viu algo BRILHAR. Um brilho estranho, porém forte e intenso. Era um livro pequenino, que cabia na palma da sua mão, com letras douradas que dizia ‘A menina e o livro’. Ela pegou, folheou as PÁGINAS, observou as letras brilhantes e resolveu guardar para mostrar a mãe. Mas o danado, além do brilho que carregava na capa, tinha gravuras interessantes que acabaram despertando a curiosidade de Ana para uma LEITURA instantânea. 

Após ler o título do exemplar com certa dificuldade, ela que nunca se vira tão interessada por algo que não emitisse BARULHO, estava ávida por saber o que de tão interessante contava em acompanhamento às figuras que ilustravam aquele objeto não mais ESTRANHO.

Ana se perdeu entre letras e pontuações. Voltava à página quando não entendia a frase ou contexto, e VIAJOU durante uma tarde inteira pra onde a menina e o livro a levavam. 

Parques, escolas, jardins, praias e montanhas. Ana conheceu tudo isso naquela tarde de OUTONO, que já estava fria. Mas a vontade de saber o que a menina mais tinha gostado de todos aqueles lugares que CONHECERA, era tão grande, que nem o frio nem a fome fizeram Ana desgrudar daquele brilho.

Após devorar aquele pequenino TESOURO, Ana descobriu que o que fez a menina do livro viajar tanto, foi exatamente um exemplar que ela lera durante suas férias escolares. Ana se viu ESPELHADA naquelas páginas que desvendavam mistérios após mistérios. Ana, que tinha preguiça de ler, se entusiasmou ao finalizar seu primeiro livro e a partir daquele dia se prometeu: ‘-NUNCA MAIS EU PARO DE LER’.  

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Carta de despedida


Os livros estão na estante, os CDs guardados e os DVDs ainda vejo. As roupas eu não doei, os brincos não joguei fora e as CARTAS não fiz fogueira. O coração está sob a cama, e o meu aqui, meio partido meio colado, mas ainda VIVO.

Pensei que não sobreviveria ao caos do desmoronamento, mas o frescor de uma nova MANHÃ sempre revigora até os tidos inúteis. O trem que passou pelo meu corpo, hoje viaja em outras terras, percorrendo novos CAMINHOS, apreciando tantas belas paisagens. Verdes, azuis, mares e FINS. 

Os sorrisos que me lembro e os que tenho agora são proporcionalmente ACOLHEDORES. E estes me fazem viver mais e MELHOR. O sol vai aquecendo aquele frio aparente, e a mãe das águas me acolhe no seu melhor abraço. As lágrimas aos poucos vão sendo substituídas por canções já ouvidas e nunca observadas. E a vida vai voltando ao NORMAL.

O cheiro de fruta fresca no início da tarde continua inundando o rol de entrada, e eu ainda me pego sentindo falta da sua RESPIRAÇÃO. Mas aos poucos eu me acostumo com novos VERBOS e mãos. Com sotaques interioranos e costumes inéditos. 

Os sonhos que insistem em tomar conta das minhas noites já não são tão densos, e eu, aos poucos, vou voltando a CAMINHAR sentindo aquela brisa que só a mais tranquila pode me presentear.  

Volto a me pintar de VERMELHO, rosa, e lilás, e a cada ida e vinda do batom lembro de VOCÊ, mas sempre com carinho. As risadas estão mais altas, e o êxtase que às vezes envolve meu corpo não mais é comprimido por um receio de sentimento partido. 

Os olhos bucólicos que por ora me olham me fazem sentir como Caetano... Que cantando a VIDA, vive num sonho que pra nós é PERFEITO, e só ele sabe a dor e a delicia de saborear cada acorde azul anil.    

Mas mesmo com o coração recortado, ouço as CANÇÕES que você me ensinou, e que por minha vez, ensinarei a novos ouvidos, que passarão para seus vizinhos, e os netos procurarão saber de quem é aquela voz que um dia ouvira falar ser o melhor dentre os melhores da HISTÓRIA que pensara viver.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Salvador, eu te amo



Do alto do prédio eu vi os dois abraçados. Da porta do hospital reparei um casal sentado. Da janela de casa ouvi risos dobrados. Na barraca da praia presenciei BEIJOS apaixonados.

E o que seria de nós se não fosse o amor e um lindo pôr do sol para ABRILHANTAR essa delícia? Sem que ninguém me peça eu defendo as belezas da minha cidade com unhas e dentes, e digo que ela é linda de ver. Os vários sóis que se põem juntos na mesma tarde de outono são gloriosos. Os faróis que fazem sombra nesse mesmo momento brindam a cada novo ENTARDECER os aplausos que os recebem. Os gramados que acolhem corpos, pinicam uma cócega gostosa e sadia. E a minha capital me presenteia com os melhores brilhos de MAR.

De cada ponta distinta a gente percebe os olhos apaixonados se fundindo com o alaranjado do SOL deitando. É como numa galeria, a admiração em silêncio de cada obra que nos toca sem nos conhecer. De cada artista que pinta sem nos perceber. De cada MÚSICA que soa ao amanhecer.

A natureza daqui é linda, e não a toa é aplaudida quase toda tarde por malucos incontroláveis. As gaivotas que dão aquele toque no CONTRA LUZ, voam sem pretensão. Os atletas que abraçam as águas mornas seguem seu rumo no silêncio límpido. E os acordes dos violões são cada vez mais novos e inovadores. São REVELADORES de encantos que só ali têm.

Uma vez disse que nada é mais belo e acolhedor que o sol do Porto da Barra quando BEIJA o mar, e é aplaudido pelo seu eterno romance renascentista. Hoje, digo que de fato não há nada mais delicioso que ver casais se amando, sem mesmo se tocar, apreciando a beleza que os une naquele MOMENTO. A brisa do Humaitá, o sol que doura a sereia, o cheiro do MAM, os cristais da ladeira da Barra, a tranquilidade de São Tomé, as BÊNÇÃOS do Santo Antônio, que vai muito além do Carmo...

A minha cidade é linda demais. E os amores que dela nascem são sempre abençoados por mares SUTIS e sóis arrebatadores. São agraciados pelas CORES fortes que essa natureza nos representa. São laranjas-azulados que sem combinar fazem a aquarela perfeita em cada fim de tarde. São CRIANÇAS pintando, descobrindo cores e combinações que só o amor tem. Que só Salvador tem.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Espasmos de melancolia

                                                                Um dos muitos finais de tarde vividos no MAM-Ba


Eu acho que hoje era um daqueles dias que eu queria você por perto. Aqui, junto de mim, calado, do meu lado, com a mão apoiada no meu colo e a respiração no mesmo compasso da minha. Isso só porque eu preciso de carinho e atenção. De uns minutos de tranquilidade e sossego pra minha alma. Mas justo hoje que eu preciso desse ABRAÇO, eu não o tenho.

Outro dia li que a vida é feita de momentos. Isso eu já sabia, ou pelo menos tinha deduzido, mas a questão eram os momentos de tristeza e ou felicidade. Eu sei que ninguém é feliz o tempo inteiro, que sorri o tempo inteiro, ou que é demasiadamente triste ao ponto de viver entre LÁGRIMAS. Mas são esses momentos que fazem a gente querer viver e melhorar a cada dia. São as situações de desconforto que nos fazem crescer e as de êxtase que nos impulsionam para dias melhores e ENSOLARADOS.

Ouvir um não nunca é ACONCHEGANTE, principalmente quando você se esforça e deposita todas as expectativas de vida naquela situação ou pessoa. Mas é a partir dessa negativa que as perguntas vêm à tona e você é obrigado a se responder. É nesse momento que você pergunta a DEUS se tudo está conforme o desejado, ou se existe algo de muito errado nessa história que ainda não foi diagnosticado.

Entretanto, a FELICIDADE está nas pequenas coisas, e não necessariamente em todos os sim’s. A alegria pode ser vista ao perceber que uma criança esta sendo alfabetizada, que muitas pessoas não passaram FRIO numa das noites mais complicadas da capital populacional do país, ou também na certeza que sua banda favorita vai lançar um livro no ano vigente.

As situações são tão diversas e tão opostas que nem uma caminhada solitária na ORLA BUCÓLICA da cidade responderia as questões. Tampouco um passeio de mãos dadas e depois um suco dividido entre canudos num mesmo copo, resolveriam as DÚVIDAS. De fato nós, seres humanos, vivemos de momentos, e felizmente todos eles passam. Inclusive os melhores e mais contentes, que servem justamente para nos impulsionar a correr atrás da tão sonhada ‘PERFEIÇÃO’.

domingo, 14 de julho de 2013

A menina do carro azul



Hoje de tarde enquanto eu estava a caminho de um almoço familiar, parei numa sinaleira e sem querer observei a motorista que parou o carro ao lado do meu. Uma menina bonita, cabelos negros e curtos, pele levemente acobreada, mãos firmes no volante e lágrimas caindo dos OLHOS. Estes estavam cobertos por óculos escuros, talvez a fim de disfarçar o inchaço das pálpebras, ou apenas para proteger da claridade. Mas naqueles segundos que ficamos paradas lado a lado, sem mesmo nos conhecer, me deu vontade de oferecer-lhe um abraço. APENAS UM ABRAÇO.

Fiquei pensando no que poderia ter causado aquelas lágrimas, que não pareciam de felicidade ou emoção. Poderia ter sido uma BRIGA boba com a irmã, ou mesmo descoberto o motivo da separação dos PAIS. Talvez ela não tenha passado no vestibular, ou tenha perdido o emprego. Mas ela poderia ter terminado com o namorado ou apenas estar com saudades de uma AMIGA. Poderia ter sido tudo isso. Ou somente se emocionado com a CANÇÃO anterior.

O fato, é que naquele um minuto e meio meu CORAÇÃO se apertou e chorou junto com ela. Ele foi solidário a um ROSTO DESCONHECIDO e uma voz inaudível. Ele apenas se compadeceu das lágrimas caídas de um rosto lindo que jamais vira novamente. Ele chorou aparentemente sem motivos.

A menina, que devia ter seus vinte e poucos anos, seguiu ouvindo a música ritmada que ecoava dos autos falantes do seu carro azul anil. A menina, que podia ser minha filha, seguiu em frente derramando lágrimas que eu NÃO PUDE EVITAR. A você minha flor, que hoje parou na sinaleira da avenida mais movimentada da cidade, minha maior vontade de SORRIR para te ver sorrir. 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Meu dia dos namorados



E se ele me desse flores, ou apenas um carinho, se me beijasse agora ou me abraçasse bem devagarinho?
Podia ser uma caixa de chocolates ou só um bombom...  Um livro de romance ou até mesmo um batom!
Uma maquiagem sensual ou um belo salto alto, uma joia engraçada ou um vestido baixo.
Talvez uma ligerie vermelha ou até marrom, contanto que dessa vez ele acerte no tom.
Uma música sem melodia ou uma letra sem dança. Meu cabelo solto ou com uma bela trança?!
Ainda penso no presente que posso ganhar, mas se as mãos estiverem vazias o que devo pensar?
Bar, drink, camarões e lagosta. Não sei não... mas ainda prefiro uma ostra.
Poema, poesia, canção e soneto. Se ele me der um corneto.... Ah... eu aceito!
Aceito um sorvete, um bola e até um peão, mas o que quero mesmo é apenas o seu coração
E este deve ser de chocolate, pelúcia ou papel, contanto que ele esteja comigo em qualquer lugar do mundo, até perdido no meio do céu.
E se eu ganhar flores, abraços, beijos e bombons? Aceito tudo de bom grado e ainda lhe dou um trato para que no próximo dia dos namorados eu lhe apronte um texto bem safado.

domingo, 29 de abril de 2012

Presente perfeito


Sei que faltam algumas muitas pessoas, mas essa foi a primeira com quase todo mundo que encontrei


Éramos nós, não éramos sós, éramos muitos. Éramos três, éramos seis, era uma vez. Era uma história. Somos uma história. NASCEMOS FAMÍLIA! Cada um de uma barriga, de um parto diferente, de anos distintos e de gestações absolutamente desiguais. Mas nascemos. Crescemos, alguns se reproduziram, outros escreveram livros, uns os têm apenas em rascunhos manuscritos e quase todos plantamos árvores de feijão no algodão quando tínhamos cinco anos no pré-escolar. Mas cumprimos a nossa parte.
Acredito eu, que de toda a ‘regra básica’ da vida todos nós cumprimos, mas ouço bem ao longe uma voz ainda embaçada, dizer que falta uma coisa. Me esforço, mas nada consigo captar.

A pró da escola dizia assim: ‘ Todo ser humano nasce, cresce, reproduz, envelhece e morre. Essa é a lei natural da vida meus amores’. Ela só esqueceu de concertar um detalhe. A gente não morre, vira ESTRELINHA do lado de papai do céu e brilha todos os dias, até naqueles beeeem chuvosos, ou mesmo nas cidades grandes e super poluídas.
 
Estrelinha que é estrelinha brilha no escuro, no claro, NO CÉU, NA TERRA E ATÉ NO MAR. Nos adesivos dos cadernos escolares, nos brincos espalhafatosos das adolescentes, no pingente da mulher sedutora, nas costas de algum tatuado e no celular de uma patricinha. Ah, têm algumas que brilham no teto de alguns quartos, essas são chamadas de florescentes.

Mas tem um tipo de estrela singular. Aquela que é plural, que conjuga verbo, que soma e multiplica, que cria jargão, que entende redação, mas não aceita a inflação. Que tenta rimar na hora errada, mas GARGALHA do besteirol bem baiano feito entre amigos num churrasco na varanda de uma casa bastante familiar. Essa estrela que eu me refiro bebe FANTA UVA, usa roupas alaranjadas e come quase tudo, menos caju. Vá entender...

Volto de onde comecei e concluo. Éramos três, éramos seis, éramos muitos. SOMOS MUITOS. Na festa de formatura, no casamento dos alheios, nas partidas de dicionário, nos shows de pagodes, NAS MÚSICAS BREGUINHAS, nas combinações nem sempre comuns de roupas e sapatos, na maneira de dirigir, na escolha da profissão, nos aniversários, na INTIMIDADE- que definitivamente não é uma merda-, nos olhares, nos beijos, abraços e amassos, nos lanches da BUUUUUURGUEEEER KING, nos apelidos carinhosos e nem sempre comuns, no paladar estranho, nas viagens, nas fotografias e nas infinitas coisas que nos UNEM. Até porque nós somos o passado de um futuro mais que presente. Um presente perfeito.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tapando o sol com a peneira

Eu sou gorda e me assumo como tal, além de usar roupas decotadas sem receios


Ainda lendo um livro de crônicas de Martha Medeiros, uma me chamou atenção (mais atenção na verdade). A autora falava sobre ‘ela’, que nem ousava citar para evitar ‘aparições inesperadas’ em seu corpo. Mas já que eu não tenho medo-receio, ou escrúpulos (entenda como quiser) escrevo aqui sobre o que ela queria dizer: BARRIGA, BARRIGUINHA, PNEUS, PANÇA. E tudo em caixa alta pra entender que eu deveria, mas não tenho problemas com ela. Ou tenho e não sei?

Fui uma criança gorda, uma adolescente muito magra, depois gostosa (aos atuais moldes brasileiros) e agora uma jovem (adulta é muito pesado pra mim) gorda de novo. Obesa por assim dizer. Algumas coisas me incomodam, mas não tanto ao ponto d’eu parar de beber Coca Cola e comer batatas fritas de novo e ficar mais uma vez gostosa de biquininho no Porto da Barra exibindo a minha malemolência.

Deveria, pois sei que gordura não é saúde etc, etc e etc. Mas o que venho falar aqui é sobre o novo termo que é usado para referenciar mulheres GORDAS. Acredito que os homens são mais tranquilos com isso. Na atual novela das ‘sete’ da Rede Globo o autor trabalha com um núcleo de pessoas FARTAS (esse é o termo para evitar o GORDO) e todas elas são muito bem resolvidas, inclusive uma das atrizes é modelo plus size, ou seja, modelo de roupas para GORDOS.

Ai eu dou uma parada nos pensamentos e pergunto: se o nosso arquétipo de perfeição é aquela mulher peituda, bunduda, SEM CELULITE, e sem barriga, por que resolveram de uns tempos pra cá admitir modelos FARTAS (plus size pra mim é tapar o sol com a peneira)? Será que o mercado largou de mão os gulosos e resolveu lucrar também com roupitchas largas ou caiu na real que existem gordos felizes e saudáveis?  

Mas concluindo sem saber os reais motivos do mercado têxtil, achei interessante o FARTO no lugar do gordo. Parece que se chamar do que é na verdade vai soar preconceituoso, e não verdadeiro.  Nenhum o magro gosta de ser chamado de seco, na melhor das hipóteses magrinho.  O alto opta por 'jogador de vôlei', ou acolhedor ao ‘vara pau’. O branco prefere qualquer adjetivo exceto o transparente ou Parmalat. E o negro acha ‘massa’ ser chamado de negão, mas preto, já que virá em tom pejorativo, não.

Na verdade todo bom ser humano tenta encontrar subterfúgios para seus supostos defeitos, afinal é muito mais fácil ser farta ou plus size a GORDA, não é?!

29/02/2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ser e também estar

Essa é a música dele que eu mais gosto

Eu sou do tipo de mulher apaixonada que adora receber flores sem motivos, bombom com cartão sem palavras, apenas com um = ) (sorriso), um ABRIR DE PORTA EDUCADO e um puxar de cadeira gentil. A minha cara deslavada não permite expor esses desejos, mas acredito que lá no fundo eu sou A AMANTE A MODA ANTIGA que Roberto Carlos citou no gênero masculino.

Sou do tipo que gosta de ELOGIO SEM GRANDES OCASIÕES, de um último beijo sem ser último, e de uma eterna primeira transa. Sou aquela romântica que se emociona ao ver beijos apaixonados em filmes ‘aguinhas com açúcar’ e ao ouvir ‘OUTRA VEZ’ do Rei. Sou daquelas que sonha com o vestido branco rendado da mãe, no corpo, e com a lua de mel digna de novela.

Sou a TIETA safada que um dia a Gabriela se espelhou. As Helena’s de Manoel Carlos, dramáticas e sofredoras por natureza, mas que amam desmedidamente. Também sou a CHIQUITITA que cresceu e agora adora aparecer. Nunca fui Sandy, mas sonhei inúmeras vezes com ela, que mesmo sem nome deixou os leitores de Ubaldo Ribeiro enlouquecidos com TANTA LUXÚRIA.

Talvez eu seja Maria, ou MADALENA. MÔNICA ou Magali, Minie ou MARGARIDA. Talvez eu seja Maiana que relê emails com lágrimas nos olhos, que sente o coração bater mais forte ao ouvir o toque de mensagem no celular e que ainda sonha com o príncipe no cavalo branco desgrenhado por causa do VENTO LITORAL, resgatando-a de algum apuro capital.

Mas principalmente, sou aquela mulher que sonha com o imperfeito e se deleita nas PEQUENAS PORÇÕES DE PERFEIÇÃO, que demonstradas diariamente são a realidade que floresce nos melhores SONHOS realizados à velocidade de cada canção que o Rei nos deixou de HERANÇA.
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