quarta-feira, 24 de julho de 2013

Espasmos de melancolia

                                                                Um dos muitos finais de tarde vividos no MAM-Ba


Eu acho que hoje era um daqueles dias que eu queria você por perto. Aqui, junto de mim, calado, do meu lado, com a mão apoiada no meu colo e a respiração no mesmo compasso da minha. Isso só porque eu preciso de carinho e atenção. De uns minutos de tranquilidade e sossego pra minha alma. Mas justo hoje que eu preciso desse ABRAÇO, eu não o tenho.

Outro dia li que a vida é feita de momentos. Isso eu já sabia, ou pelo menos tinha deduzido, mas a questão eram os momentos de tristeza e ou felicidade. Eu sei que ninguém é feliz o tempo inteiro, que sorri o tempo inteiro, ou que é demasiadamente triste ao ponto de viver entre LÁGRIMAS. Mas são esses momentos que fazem a gente querer viver e melhorar a cada dia. São as situações de desconforto que nos fazem crescer e as de êxtase que nos impulsionam para dias melhores e ENSOLARADOS.

Ouvir um não nunca é ACONCHEGANTE, principalmente quando você se esforça e deposita todas as expectativas de vida naquela situação ou pessoa. Mas é a partir dessa negativa que as perguntas vêm à tona e você é obrigado a se responder. É nesse momento que você pergunta a DEUS se tudo está conforme o desejado, ou se existe algo de muito errado nessa história que ainda não foi diagnosticado.

Entretanto, a FELICIDADE está nas pequenas coisas, e não necessariamente em todos os sim’s. A alegria pode ser vista ao perceber que uma criança esta sendo alfabetizada, que muitas pessoas não passaram FRIO numa das noites mais complicadas da capital populacional do país, ou também na certeza que sua banda favorita vai lançar um livro no ano vigente.

As situações são tão diversas e tão opostas que nem uma caminhada solitária na ORLA BUCÓLICA da cidade responderia as questões. Tampouco um passeio de mãos dadas e depois um suco dividido entre canudos num mesmo copo, resolveriam as DÚVIDAS. De fato nós, seres humanos, vivemos de momentos, e felizmente todos eles passam. Inclusive os melhores e mais contentes, que servem justamente para nos impulsionar a correr atrás da tão sonhada ‘PERFEIÇÃO’.

domingo, 14 de julho de 2013

A menina do carro azul



Hoje de tarde enquanto eu estava a caminho de um almoço familiar, parei numa sinaleira e sem querer observei a motorista que parou o carro ao lado do meu. Uma menina bonita, cabelos negros e curtos, pele levemente acobreada, mãos firmes no volante e lágrimas caindo dos OLHOS. Estes estavam cobertos por óculos escuros, talvez a fim de disfarçar o inchaço das pálpebras, ou apenas para proteger da claridade. Mas naqueles segundos que ficamos paradas lado a lado, sem mesmo nos conhecer, me deu vontade de oferecer-lhe um abraço. APENAS UM ABRAÇO.

Fiquei pensando no que poderia ter causado aquelas lágrimas, que não pareciam de felicidade ou emoção. Poderia ter sido uma BRIGA boba com a irmã, ou mesmo descoberto o motivo da separação dos PAIS. Talvez ela não tenha passado no vestibular, ou tenha perdido o emprego. Mas ela poderia ter terminado com o namorado ou apenas estar com saudades de uma AMIGA. Poderia ter sido tudo isso. Ou somente se emocionado com a CANÇÃO anterior.

O fato, é que naquele um minuto e meio meu CORAÇÃO se apertou e chorou junto com ela. Ele foi solidário a um ROSTO DESCONHECIDO e uma voz inaudível. Ele apenas se compadeceu das lágrimas caídas de um rosto lindo que jamais vira novamente. Ele chorou aparentemente sem motivos.

A menina, que devia ter seus vinte e poucos anos, seguiu ouvindo a música ritmada que ecoava dos autos falantes do seu carro azul anil. A menina, que podia ser minha filha, seguiu em frente derramando lágrimas que eu NÃO PUDE EVITAR. A você minha flor, que hoje parou na sinaleira da avenida mais movimentada da cidade, minha maior vontade de SORRIR para te ver sorrir. 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Meu dia dos namorados



E se ele me desse flores, ou apenas um carinho, se me beijasse agora ou me abraçasse bem devagarinho?
Podia ser uma caixa de chocolates ou só um bombom...  Um livro de romance ou até mesmo um batom!
Uma maquiagem sensual ou um belo salto alto, uma joia engraçada ou um vestido baixo.
Talvez uma ligerie vermelha ou até marrom, contanto que dessa vez ele acerte no tom.
Uma música sem melodia ou uma letra sem dança. Meu cabelo solto ou com uma bela trança?!
Ainda penso no presente que posso ganhar, mas se as mãos estiverem vazias o que devo pensar?
Bar, drink, camarões e lagosta. Não sei não... mas ainda prefiro uma ostra.
Poema, poesia, canção e soneto. Se ele me der um corneto.... Ah... eu aceito!
Aceito um sorvete, um bola e até um peão, mas o que quero mesmo é apenas o seu coração
E este deve ser de chocolate, pelúcia ou papel, contanto que ele esteja comigo em qualquer lugar do mundo, até perdido no meio do céu.
E se eu ganhar flores, abraços, beijos e bombons? Aceito tudo de bom grado e ainda lhe dou um trato para que no próximo dia dos namorados eu lhe apronte um texto bem safado.

domingo, 29 de abril de 2012

Presente perfeito


Sei que faltam algumas muitas pessoas, mas essa foi a primeira com quase todo mundo que encontrei


Éramos nós, não éramos sós, éramos muitos. Éramos três, éramos seis, era uma vez. Era uma história. Somos uma história. NASCEMOS FAMÍLIA! Cada um de uma barriga, de um parto diferente, de anos distintos e de gestações absolutamente desiguais. Mas nascemos. Crescemos, alguns se reproduziram, outros escreveram livros, uns os têm apenas em rascunhos manuscritos e quase todos plantamos árvores de feijão no algodão quando tínhamos cinco anos no pré-escolar. Mas cumprimos a nossa parte.
Acredito eu, que de toda a ‘regra básica’ da vida todos nós cumprimos, mas ouço bem ao longe uma voz ainda embaçada, dizer que falta uma coisa. Me esforço, mas nada consigo captar.

A pró da escola dizia assim: ‘ Todo ser humano nasce, cresce, reproduz, envelhece e morre. Essa é a lei natural da vida meus amores’. Ela só esqueceu de concertar um detalhe. A gente não morre, vira ESTRELINHA do lado de papai do céu e brilha todos os dias, até naqueles beeeem chuvosos, ou mesmo nas cidades grandes e super poluídas.
 
Estrelinha que é estrelinha brilha no escuro, no claro, NO CÉU, NA TERRA E ATÉ NO MAR. Nos adesivos dos cadernos escolares, nos brincos espalhafatosos das adolescentes, no pingente da mulher sedutora, nas costas de algum tatuado e no celular de uma patricinha. Ah, têm algumas que brilham no teto de alguns quartos, essas são chamadas de florescentes.

Mas tem um tipo de estrela singular. Aquela que é plural, que conjuga verbo, que soma e multiplica, que cria jargão, que entende redação, mas não aceita a inflação. Que tenta rimar na hora errada, mas GARGALHA do besteirol bem baiano feito entre amigos num churrasco na varanda de uma casa bastante familiar. Essa estrela que eu me refiro bebe FANTA UVA, usa roupas alaranjadas e come quase tudo, menos caju. Vá entender...

Volto de onde comecei e concluo. Éramos três, éramos seis, éramos muitos. SOMOS MUITOS. Na festa de formatura, no casamento dos alheios, nas partidas de dicionário, nos shows de pagodes, NAS MÚSICAS BREGUINHAS, nas combinações nem sempre comuns de roupas e sapatos, na maneira de dirigir, na escolha da profissão, nos aniversários, na INTIMIDADE- que definitivamente não é uma merda-, nos olhares, nos beijos, abraços e amassos, nos lanches da BUUUUUURGUEEEER KING, nos apelidos carinhosos e nem sempre comuns, no paladar estranho, nas viagens, nas fotografias e nas infinitas coisas que nos UNEM. Até porque nós somos o passado de um futuro mais que presente. Um presente perfeito.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tapando o sol com a peneira

Eu sou gorda e me assumo como tal, além de usar roupas decotadas sem receios


Ainda lendo um livro de crônicas de Martha Medeiros, uma me chamou atenção (mais atenção na verdade). A autora falava sobre ‘ela’, que nem ousava citar para evitar ‘aparições inesperadas’ em seu corpo. Mas já que eu não tenho medo-receio, ou escrúpulos (entenda como quiser) escrevo aqui sobre o que ela queria dizer: BARRIGA, BARRIGUINHA, PNEUS, PANÇA. E tudo em caixa alta pra entender que eu deveria, mas não tenho problemas com ela. Ou tenho e não sei?

Fui uma criança gorda, uma adolescente muito magra, depois gostosa (aos atuais moldes brasileiros) e agora uma jovem (adulta é muito pesado pra mim) gorda de novo. Obesa por assim dizer. Algumas coisas me incomodam, mas não tanto ao ponto d’eu parar de beber Coca Cola e comer batatas fritas de novo e ficar mais uma vez gostosa de biquininho no Porto da Barra exibindo a minha malemolência.

Deveria, pois sei que gordura não é saúde etc, etc e etc. Mas o que venho falar aqui é sobre o novo termo que é usado para referenciar mulheres GORDAS. Acredito que os homens são mais tranquilos com isso. Na atual novela das ‘sete’ da Rede Globo o autor trabalha com um núcleo de pessoas FARTAS (esse é o termo para evitar o GORDO) e todas elas são muito bem resolvidas, inclusive uma das atrizes é modelo plus size, ou seja, modelo de roupas para GORDOS.

Ai eu dou uma parada nos pensamentos e pergunto: se o nosso arquétipo de perfeição é aquela mulher peituda, bunduda, SEM CELULITE, e sem barriga, por que resolveram de uns tempos pra cá admitir modelos FARTAS (plus size pra mim é tapar o sol com a peneira)? Será que o mercado largou de mão os gulosos e resolveu lucrar também com roupitchas largas ou caiu na real que existem gordos felizes e saudáveis?  

Mas concluindo sem saber os reais motivos do mercado têxtil, achei interessante o FARTO no lugar do gordo. Parece que se chamar do que é na verdade vai soar preconceituoso, e não verdadeiro.  Nenhum o magro gosta de ser chamado de seco, na melhor das hipóteses magrinho.  O alto opta por 'jogador de vôlei', ou acolhedor ao ‘vara pau’. O branco prefere qualquer adjetivo exceto o transparente ou Parmalat. E o negro acha ‘massa’ ser chamado de negão, mas preto, já que virá em tom pejorativo, não.

Na verdade todo bom ser humano tenta encontrar subterfúgios para seus supostos defeitos, afinal é muito mais fácil ser farta ou plus size a GORDA, não é?!

29/02/2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ser e também estar

Essa é a música dele que eu mais gosto

Eu sou do tipo de mulher apaixonada que adora receber flores sem motivos, bombom com cartão sem palavras, apenas com um = ) (sorriso), um ABRIR DE PORTA EDUCADO e um puxar de cadeira gentil. A minha cara deslavada não permite expor esses desejos, mas acredito que lá no fundo eu sou A AMANTE A MODA ANTIGA que Roberto Carlos citou no gênero masculino.

Sou do tipo que gosta de ELOGIO SEM GRANDES OCASIÕES, de um último beijo sem ser último, e de uma eterna primeira transa. Sou aquela romântica que se emociona ao ver beijos apaixonados em filmes ‘aguinhas com açúcar’ e ao ouvir ‘OUTRA VEZ’ do Rei. Sou daquelas que sonha com o vestido branco rendado da mãe, no corpo, e com a lua de mel digna de novela.

Sou a TIETA safada que um dia a Gabriela se espelhou. As Helena’s de Manoel Carlos, dramáticas e sofredoras por natureza, mas que amam desmedidamente. Também sou a CHIQUITITA que cresceu e agora adora aparecer. Nunca fui Sandy, mas sonhei inúmeras vezes com ela, que mesmo sem nome deixou os leitores de Ubaldo Ribeiro enlouquecidos com TANTA LUXÚRIA.

Talvez eu seja Maria, ou MADALENA. MÔNICA ou Magali, Minie ou MARGARIDA. Talvez eu seja Maiana que relê emails com lágrimas nos olhos, que sente o coração bater mais forte ao ouvir o toque de mensagem no celular e que ainda sonha com o príncipe no cavalo branco desgrenhado por causa do VENTO LITORAL, resgatando-a de algum apuro capital.

Mas principalmente, sou aquela mulher que sonha com o imperfeito e se deleita nas PEQUENAS PORÇÕES DE PERFEIÇÃO, que demonstradas diariamente são a realidade que floresce nos melhores SONHOS realizados à velocidade de cada canção que o Rei nos deixou de HERANÇA.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Natal só em família


Essa é a minha família no natal de 2010. A foto de 2011 ainda está na câmera


“Já comprou tudo? Já sim. Tem certeza? Tenho pô, quer ver? Não, mas vai falando ai pra eu ter certeza que você não se esqueceu de nada. Queijo, presunto, frango, arroz, passas, nozes, castanha, maça, cidra, vinho, refrigerante, bacalhau... Pêra ai... Ah, tender, as verduras que você já viu... Pronto, ta tudo aqui. E o peru criatura? Não acredito que você esqueceu justo o peru... Ai Jesus... o peru!”

Corre pra lá, corre pra cá, vai no mercado, compra o maior peru que está à venda, ou o menor, depende da grana disponível, volta pra casa, passa o dia na cozinha preparando a ceia, arruma a árvore e os presentes, reclama com as crianças, vai na venda comprar o que falta, sempre falta alguma coisa, toma banho, manda todo mundo tomar banho e se arrumar, VAMOS CEIAR.
 
Mas antes da ceia tem a ORAÇÃO. A oração que independe das religiões ali presentes e respeita aqueles que ainda não sabem orar, mas ficam quietinhos ouvindo as palavras da matriarca. A oração que agradece por todo o ano que passou, por tudo de bom e ruim que cada um viveu e por mais uma vez estarmos todos juntos no Natal, data em que para alguns é nada, para outros muito, e para nós O DIA.

O dia em que acordamos mais tarde e comemos coisas gostosas, que NOS ABRAÇAMOS e nos perturbamos com a mesma INTENSIDADE, que ouvimos músicas que não gostamos e não reclamamos. O dia em que vemos primos distantes e outros bem próximos, que abrimos presentes ÚTEIS E INÚTEIS, que vemos a alegria no rosto de várias ‘delicinhas cremosas’ e rimos com toda essa farra interminável. O dia em que fazemos amigo SECRETO, SACANA, SAFADO, LADRÃO e todo mundo sai feliz, e enfim o dia em que literalmente nos juntamos para fazer mais uma foto em FAMÍLIA. Da nossa família, do nosso pilar. Daqueles que nunca nos deixarão sós, que mesmo clichê são a base de tudo e referência do que somos e seremos. Tia, mãe, avó, primo, madrinha, pai, comadre, filha e irmão. Somos UM. Ainda que brigões quando a pia está cheia de louça suja, quando a casa tem papel de presente espalhado por todos os cantos e quando um resolve dormir na cama do outro.

E ai de alguém que diga que alguma coisa está errada. Está tudo na mais perfeita ordem. Sabe por quê? Porque é Natal, porque somos família, porque a gente se ama, se entende e acolhe não só os nossos, mas qualquer um que quiser um mínimo de CARINHO E DOÇURA, OU LOUCURA, desses que se preparam o ano inteiro para viver mais um Natal esplendoroso em família.

                                                                                                                                26/12/2011

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Infância com gosto de tubaína


O saudosismo faz parte da minha vida e eu não me canso de dizer isso. SOU NOSTÁLGICA SEM LIMITES e tudo que eu vivi de bom lembro-me com saudades intensas, choro e rio sozinha, se necessário for, revejo fotos, ouço músicas, sinto perfumes... Tudo pra me levar de volta ‘aquele bom e velho tempo que não volta mais’.

Mas toda essa conversinha fiada é pra falar de um LÍQUIDO PRECIOSO que não é água, mas é tão bom quanto. Não só pelo sabor docinho, mas PRINCIPALMENTE POR TER GOSTO DE INFÂNCIA. Ela, a TUBAÍNA, a minha diva de hoje e sempre.

Tubaína é melhor que uma sexta-feira, porque quando a gente é criança todo dia é dia de descanso e principalmente de lazer. A danada é um refrigerante, se não for parece muito até por ser gaseificado, que tem em vários sabores como cola, guaraná, laranja e TUTI FRUTTI. É gostosa por ser boa mesmo e é mais especial ainda por ter feito parte da infância e da adolescência de muita gente. Não sei se a diva existe em todo o Brasil, se sim ótimo, se não lamento profundamente por todos aqueles que não puderam fazer piquenique na varanda de casa ao som de Balão Mágico COMENDO MICÃO E BEBENDO TUBAÍNA.

Eu sou filha única, mas meus primos fizeram às vezes de irmãos pra mim, na verdade ainda fazem. Não só quando a gente brincava na rua e alguém levava um chute na canela por outro ter dado um pescoção no amigo do vizinho, mas até hoje, nas alegrias e tristezas, na saúde e na doença e creio eu, ‘até que a morte nos separe’. Mas foi graças a todos esse primos que eu tive a melhor infância que alguém pode pensar em ter.


Brinquei de elástico, de bicicleta, tomei banho em piscina plástica, me perdi em shoppings, desci em váááários tobogãs sentada naquele saco de lona, é claro, (saía com o pé sangrando por não saber apoiá-lo direito em cima do saco), torci o pé, cai do balanço, me queimei com fósforo, cortei o dedo tentando fazer papinha de abacate pras bonecas, cortei também o cabelo deixando aquele buraco lindo bem no meio da cabeça, escorreguei em ‘ruma’ de areia de construção e também fiz vários PIQUENIQUES NA VARANDA.

Mas de todas as artes infantis essa, talvez, é a que me dê mais saudade. Éramos cinco e meio. Posso explicar. Eram quatro meninas e um menino com mais ou menos seis ou sete anos e um pimpolho de um ano e meio que sempre participava de TUDO. Eu morava e ainda moro em Salvador e todas as férias, sem exceção, eu ia pra Feira de Santana, interior da Bahia. Quando o sol brilhava a gente ficava pela rua saracoteando o dia inteiro até tomar uma surra por ter feito alguma traquinagem. Mas quando chovia ficávamos trancafiados em casa ‘pra ninguém pegar uma pneumonia’. E eram nos dias de chuva que as ideias criativas apareciam com mais intensidade.

Sem ter o que fazer a gente inventava aniversário de bonecas e bonecos e os tais piqueniques. E como todo lanche que se preza tem que ter alguma iguaria fantástica feita pelas próprias crianças. Mas se não podíamos chegar perto da cozinha, o que seria do nosso ‘brunch’?

Eis que fazíamos ‘vaquinha’ com todos os adultos da casa, arrecadávamos cerca de R$ 3,00 ou R$ 5,00 no máximo e quando a chuva dava uma trégua os mais velhos iam (literalmente) correndo para o mercadinho mais próximo - lê-se na esquina- e faziam as compras, enquanto os caçulas arrumavam a festa ou a ‘grama’. A lista do ‘mercado’ era composta por um litro de tubaína, a que tivesse mais barata ou mais gelada, um pacote grande de micão (micão é um salgadinho de queijo que segundo minha mãe parece isopor amarelo com cheiro enjoado e sem nenhuma utilidade alimentícia) e um pacote de biscoito recheado de chocolate, claro que também o mais barato.

E assim a gente passava as manhãs ou tardes chuvosas comendo e bebendo em pratinhos de brinquedo, sentados em uma toalha quadriculada branca e vermelha, falando um monte de besteira e fazendo guerra de salgadinho no final disso tudo. Até porque a graça era pegar a vassoura que era maior do que qualquer um de nós e tentar limpar a bagunça. Mas nunca conseguimos deixar a casa limpa como nossas mães desejavam, mas FOMOS IMENSAMENTE FELIZES como todas elas sonharam.

P.S. Escrevi todo o texto, que ficou longo, me desculpem, com um riso estampado na cara. Não sou doida, sou saudosista, esqueceram?!

                                                                                                                                    19/12/2011

sábado, 10 de dezembro de 2011

Colégio, ai que saudade d’ocê



Às vezes eu sinto falta da época do colégio. Às vezes não, sempre. É bom crescer, amadurecer, conhecer novos horizontes e decidir sua própria vida. Mas a sensação das FÉRIAS garantidas todo final de ano, a preocupação única com as médias e a felicidade de trocar de farda ao passar do ensino fundamental para o médio não tem preço. Passou.

Hoje, com meus 24 anos recém completados, vivo varias sensações de nostalgia ao mesmo tempo. Vivo a minha prima de 15 anos que acabou de passar direto para o 1º ano no ensino médio e está de férias até o final do carnaval do ano que vem. Vivo a saudade da moda, das músicas, e das companhias de quando eu assistia ‘Malhação’ – estou revendo a temporada de 2001 no canal Viva – e vivo a péssima sensação de mais uma vez ser demitida de um emprego, por simplesmente não poderem me pagar.

Quando eu ainda estava no SALESIANO – escola na qual passei parte da minha infância e toda a adolescência – sonhava com o dia em que passaria no vestibular, no dia em que concluiria a faculdade e principalmente, com a estabilidade e independência que meu emprego me daria. Mas hoje, passado todos esses sonhos, sonho mesmo é com a folga garantida, com a grana do cinema e da pipoca, é claro, com a semana na ilha, com as quartas-feiras que eu ia para o clube curtir a piscina com as minhas melhores amigas, com os ingressos do Festival de Verão que eu ganhava com mais de um mês de antecedência e principalmente com as contas que eu NÃO TINHA PRA PAGAR.

O preço que a gente paga pra crescer é muito alto. Os prazeres que têm que ser deixados pra traz são muitos e a saudade da vida tranquila é eterna. As paixões platônicas, as boys bands, a tabela periódica, as inúmeras teorias da matemática, as conjunções mais que adversativas... Tudo isso me faz crer que cresci de verdade, e a menina moleca que tremia quando ia pegar o resultado do final do ano, hoje sente falta apenas do sino que tocava no intervalo e do lanche que a mãe preparava com todo o CARINHO para a manhã seguinte.

Que possamos viver hoje o ‘colégio’ dos nossos e que esse saudosismo saudável não passe de uma paixão bem resolvida, e que a ‘Malhação’ continue sendo passada no canal fechado, assim a gente se curte de novo numa nova era, criticando os vestidos ‘LONGUETES’ e os topetes dos meninos.
                                                                                                                                                          29/11/2011

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Palhaço

Passei muitos dias sem aparecer, eu sei. Talvez falta de tempo, vontade, inspiração, assunto ou simplesmente por querer me dar um tempo mesmo. Mas hoje volto aqui pra falar de um filme MUITO BOM que assistir. Sei que não sou nenhuma expert em longas, tampouco colunista dessas revistas renomadas que diz quando algo é 'bom' ou 'ruim' e os leitores levam aquilo muito a sério. Porém resolvi relatar o meu ponto de vista em mais um filme nacional.

Trailer oficial do filme


No último sábado (5) fui em família ao cinema, e em comum acordo decidimos ver 'O PALHAÇO' de Selton Melo. O cara, que foi extremamente feliz na direção, atuação e roteiro, só faltou mesmo filmar. Brincadeiras sem graças a parte, digo que este foi um dos últimos filmes que realmente me EMOCIONOU. Admito que choro com qualquer romance aguinha com açúcar, mas este, por não ser tão romancista assim, tirou algumas lágrimas minhas. E mais, me fez pensar em como são de fato os valores distintos que damos a cada coisa. E essa é uma proza que realmente vai ficar para outro dia.

Mas voltando ao filme... Selton brincou no PICADEIRO, e SUTILMENTE mostrou o quão importante é ter uma identidade. Sonhou com um ventilador e pode ter a escolha de ser de fato um bom palhaço. Se apaixonou pela mulher do irmão, teve os cachinhos lambidos por uma pasta, enterrou defuntos e pediu sutiãs tamanhos GG.

Com uma SENSIBILIDADE incrível, o ator e também roteirista, soube mostrar como é o  desespero de um palhaço que não tem o 'faz me rir', e nem sempre faz rir aquele que precisa. Como é a solidão de um homem em uma trupe, além da traição entre amigos. E por fim soube 'contar' a emoção de saber que uma pequenina pode ser a diferença no palco e deu a certeza de que “ CADA UM SÓ FAZ O QUE SABE. O GATO BEBE LEITE. O RATO COME QUEIJO. E EU... EU SOU SOU UM PALHAÇO!”.  

Indico, digo que é bom e deve sim ser um filme nacional a ser valorizado, pois deixa os estereótipos de palavrões lá atrás nos anos... Além é claro de contar com um ELENCO FANTÁSTICO.
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